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Por Janneke Roelofs, Auditora Internacional de RH Sênior, Top Employers Institute
Por Janneke Roelofs, Auditora Internacional de RH Sênior, Top Employers Institute

Medir o impacto da mentoria durante as interrupções no ambiente de trabalho

Todos os anos, mais de 1.600 Top Employers de 119 países/regiões completam a extensa Pesquisa de Melhores Práticas de RH do Top Employers Institute, que fornece uma abundância de informações para nossos analistas de dados coletarem para tendências de benchmarking em RH ano a ano. Uma das tendências que observamos é que os Top Employers estão cada vez mais adotando uma abordagem mais formalizada de mentoria.

Os programas formais de mentoria permitem que as organizações criem e cultivem relacionamentos combinando gestores experientes com talentos promissores para cumprir objetivos específicos de desenvolvimento individual.

Unir os colaboradores a um mentor habilidoso e capaz de orientar os colaboradores cria um espaço seguro para o aprendizado dos colaboradores, o que nos tempos atuais do COVID-19 é cada vez mais necessário.

Mas como criar um ambiente seguro para a mentoria se o sucesso dela se baseia na conexão "humana" entre o mentor e o aprendiz? A mentoria deve ser pessoal, identificável e deve haver conexão. Unir um colaborador ao mentor certo é o aspecto mais desafiador, e o mais importante, da mentoria.

Então, se você está oferecendo um programa de mentoria, isso ainda é apropriado ou mesmo possível durante esta pandemia? Embora o vírus tenha tornado impossível para muitas organizações continuar com a mentoria presencial em um futuro previsível, isso não significa que você não pode iniciar ou manter uma relação de mentoria online. Um programa de mentoria pode permanecer relevante e ajudar a manter os seus colaboradores conectados, bem como ser um meio de mostrar que a organização se preocupa com o seu pessoal. 

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Mentoria e desenvolvimento de talentos

A mentoria deve ser incluída como parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento de talentos. Ela precisa ser adaptada às necessidades e objetivos específicos de sua organização. Mas não se deve esquecer de considerar o colaborador individualmente e onde se encontram em sua jornada pessoal e profissional.

Pode ser que a situação atual mude o foco da mentoria para a sua organização. Sem a situação da Covid-19, a mentoria se concentraria principalmente no desenvolvimento de carreira, mas agora outras funções podem surgir, as quais podem estar mais relacionadas ao suporte emocional e ao bem-estar.  

Portanto, é relevante para o RH, ao avaliar e medir seu programa de mentoria, considerar se o programa ainda se encaixa no contexto das necessidades da empresa. As perguntas relevantes a se fazer são "por que existe essa iniciativa?" e “essa iniciativa ainda atende às nossas necessidades?”.

A importância das métricas corretas 

Muitas organizações pensam que estão medindo e seguindo o que é necessário para determinar o sucesso dos seus programas de mentoria. No entanto, nem sempre é esse o caso. A maioria das organizações concentra suas medições em métricas tradicionais, que estão relacionadas ao acompanhamento do programa e podem incluir:

  • O número de colaboradores que participam do seu programa, seja como mentores ou aprendizes.
  • A taxa de participação nas diferentes iniciativas: quantas tutorias são presenciais, em grupo ou virtuais, por exemplo.
  • Quando e com que frequência o mentor e o aprendiz se reúnem?
  • Qual é a taxa de satisfação do mentor e a do aprendiz?

Embora essas métricas sejam importantes, elas não avaliam totalmente a eficácia de um programa de mentoria, porque carecem de métricas relacionadas à determinação da qualidade dos resultados, tais como:

  • Qual porcentagem de colaboradores do programa provém de grupos diversificados?
  • Qual é o efeito da mentoria nas taxas de promoção?
  • Os colaboradores do programa de mentoria têm acesso a mais oportunidades dentro da organização?
  • A mentoria tem impacto nos resultados do envolvimento dos colaboradores (por exemplo, satisfação no trabalho ou bem-estar dos colaboradores)?

O fato de ter uma forte estratégia de medição pode ser utilizado para aumentar o sucesso das iniciativas de mentoria, especialmente, se for possível compará-las antes, durante e depois de situações perturbadoras, como os resultados da pandemia.

As métricas podem - e devem - ser obtidas a partir de uma variedade de fontes (incluindo pesquisas de situação dos colaboradores, barômetros de humor, entrevistas e grupos focais) e isto ajudará a fornecer uma indicação mais precisa sobre se um programa teve sucesso, ou pode precisar de ajustes.

A mentoria por meio de reuniões online pode ainda ter um resultado equivalente à mentoria presencial, mas o seu mentor e o aprendiz podem precisar de algum suporte no uso da tecnologia para facilitar uma conversa significativa, o que pode incluir orientações para criar um novo ritmo e encontrar o melhor meio para a reunião on-line.

Vemos exemplos com os nossos Top Employers que continuam a ser mentores utilizando ferramentas de vídeo online, como Skype ou Microsoft Teams. Outros Top Employers estenderam sua mentoria a todos os colaboradores, oferecendo mentoria similar por meio de plataformas de redes sociais.

Se você ajustar seus programas de mentoria ou acrescentar iniciativas adicionais para dar suporte a seus funcionários na atual situação de pandemia, continua sendo relevante medir os efeitos dessas atividades adicionais. Como ainda estamos nos adaptando no mercado de trabalho ao ambiente virtual, é importante entender o que funciona e o que não funciona dentro da nossa organização quando se trata de mentoria.